vãs palavras de indignação.
Isso não é um protesto.
Eu não me importo.
Eu não quero saber se existem
Pessoas sofrendo em algum lugar.
Que morram. Que definhem lentamente.
Só o que importa é que eu
Ainda esteja bem.
Que eu esteja sempre
Como minha volúvel vontade desejar.
Se existe alguém com fome
Não importa desde que eu
Tenha meu prato preferido no jantar.
Se alguém vai morrer de frio esta noite,
Eu não vou nem pensar
Porque adoro dormir com cobertor.
Se alguém implora para morrer,
Eu não me importo.
A vida não vale muito para mim.
Se há guerra – que seja no oriente.
Se falta água – tome coca-cola.
Se não há pão – que comam brioches.
Se ganha pouco – não trabalhe.
Perceba, assim, como era o bastante.
Se essas coisas são caras – prive-se delas.
Se acha que alguém realmente se importa – olhe envolta.
Eu não me importo.
Mas, ao menos, sou capaz de admitir.
Não lamento e falsamente me apiedo
Para sentir o quanto sou bondoso e caridoso.
Não creio que isso seja suficiente. É para você?
Não vou apenas sentir-me mal por esse estado de coisas.
Mas, assim como você, não estou disposto
A mover um só dedo ou abrir mão de uma única comodidade
Para que eu não precise mais sentir pesar
Pelo sofrimento de alguém
Que obviamente não seja eu mesmo.