Sobre “O POEMA DO HAXIXE”
Filed Under (livros) by Tânia on 25-06-2004
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Entre os ensaios escritos por Charles Baudelaire está Les Paradis Artificiels (Os Paraísos Artificiais) que fala a respeito da ingestão de drogas e seus efeitos estéticos. A primeira parte ‘Um comedor de ópio’ não será aqui tratada, sendo a segunda parte ‘O Poema do Haxixe’ o objeto desta análise. A edição utilizada é a da Editora Aquariana, coleção B, com tradução e notas de Eduardo Brandão.
O livro Os Paraísos Artificiais é dedicado a J.G.F., uma amiga de Baudelaire que não se sabe quem era. É uma dedicatória bastante interessante na qual o autor explica porque dedica “um quadro de volúpias artificiais” a uma mulher, já que esta seria “a fonte mais comum das volúpias naturais”; mas o faz questionando se é importante que se explique já que a compreensão só importaria àquele para quem a obra foi escrita. Acrescenta, bem à sua ácida maneira, que “teria o maior prazer em só escrever para os mortos”.
‘O Poema do Haxixe’ começa com o capítulo “O Gosto do Infinito” que é uma introdução ao tema abordado. Aí Baudelaire fala dos momentos em que o homem parece inexplicavelmente ter os sentidos exaltados, o que ele chama de “um estado paradisíaco” se comparado às “pesadas trevas da existência comum e cotidiana”. Acrescenta que desses momentos “deveríamos tirar, se fôssemos sensatos, a certeza de uma existência melhor e a esperança de alcançá-la mediante o exercício cotidiano da nossa vontade”. Segue dizendo que o homem buscou na “ciência física, na farmacologia, nas bebidas mais grosseiras, nos perfumes” uma maneira de fugir, mesmo que temporariamente de seu estado natural, que seria lodoso, e atingir as paradisíacas sensações desses momentos imprevistos. Esses usos viciosos seriam uma prova do gosto do homem pelo infinito; isso porque o levariam ao estado em que teriam se estivessem no paraíso, na eternidade. Mas o homem empregaria para o mal o excesso de paixão que teria dentro de si buscando “criar o paraíso” através dos efeitos de drogas terrenas que o levariam à perdição. Dessas drogas, escolhe o haxixe para estudo, fazendo uma análise dos “efeitos misteriosos e dos prazeres mórbidos que essas drogas podem engendrar, dos castigos inevitáveis que resultam de seu uso prolongado e, enfim, da própria imortalidade implícita nessa busca de um falso ideal”.