SOBRE CASIMIRO DE ABREU
Filed Under (livros) by Tânia on 26-06-2009
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Casimiro de Abreu foi o poeta da mocidade brasileira, que fez de seu livro um dos mais lidos no país inteiro. Sente-se, em quem soube tão bem cantar a sua “infância querida que os anos não trazem mais”, uma ligação profunda com a alma do povo, traduzindo esse sentimento de forma que se tornaria um dos vultos exponenciais da literatura brasileira com um só e pequeno livro, expressão poética da alma adolescente.
Foi o poeta sobre o qual recaiu o maior número de preconceitos e lendas. Tido como o poeta da morte, do amor contrariado ou infeliz, imbuído de dramas espirituais que teriam dado em saturnais e bordéis; era considerado incorreto na linguagem, descuidado quanto às regras da prosódia e metrificação.
Hoje, porém, tanto as lendas biográficas, quanto os preconceitos literários, estes últimos difundidos, sobretudo, pelos poetas e críticos parnasianos, estão completamente destruídos. Dotado de um estilo espontâneo, conciso e claro, Casimiro se caracteriza pela sensibilidade quase infantil, pela meiguice, pelos sentimentos comuns de amor ingênuo, de saudade, de gosto pela natureza, de sonhos e devaneios adolescentes, de recordações infantis. É um poeta das emoções simples, à flor da pele ou da imaginação, das murmurações tímidas, das tristezas leves provocadas pelos desencantos, mas sem pessimismo doentio. Sua melhor característica está na atração da vida natural, entre árvores e flores. Os acontecimentos se sucedem sem violências, envolvidos em névoa, misto de saudade e tristeza. Tal é sua maneira característica de poetar e viver em poesia.
A seguir se fará uma apresentação biográfica sumária e uma análise de alguns de seus poemas das Primaveras para se tentar explicitar o mundo desse poeta, as belezas e os limites de sua poesia.