“I Can Resist Everything except Temptation”

Oscar Wilde

NEOLOGISMO PAPAL

Filed Under (humor) by Tânia on 10-02-2009

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       Vossa Santidade, o papa “desexcomungou” (eu desexcomungo, tu desesexcomungas, ele desexcomunga, nós desexcomungamos, vós desexcomungais, eles desexcomungam) aqueles sujeitos que disseram que o holocausto não existiu. Claro, como poderia ele mantê-los excomungados se ele mesmo, o papa, adora dizer que as coisas não existem, como o limbo, por exemplo. Daqui a pouco ele vai dizer que Deus não existe!Ah, não, daí ele seria ateu, não nazista.

    Acho que a reação dos judeus a essa atitude deveria ser enérgica – cobrar royalties da Igreja Católica pelo uso do Velho Testamento! Porque, veja bem, é muito desaforo copiar a religião dos caras e ainda querer persegui-los? Por que? Por acreditarem no mesmo Deus malvadão soltando raios e pragas nas suas próprias criaturas? Ah é, deve ser por isso, Deus criou o homem a sua imagem e semelhança! Eu falo que religião tem lógica, os ateus nunca me acreditam…

     Mas, reparem, “o secretário de Estado cardeal Tarcisio Bertone deu ordens para que o bispo Richard Williamson peça perdão de forma ‘absoluta, inequívoca e pública’ por ter negado o Holocausto e ter elogiado o regime Nazista. Senão, voltará à excomunhão.” (Eu excomungarei, tu excomungarás, ele excomungará, nós excomungaremos, vós excomungareis, eles excomungarão)

LITERATURA HOJE

Filed Under (opinião) by Tânia on 01-02-2009

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          Quando me pergunto o que faz um profissional da área de literatura nos tempos atuais, logo me vem à cabeça a piada sobre matar dragões. Esclareço: havia um tempo em que dragões voavam entre nós e havia homens especializados em matá-los; quando os dragões foram todos mortos, o que restou a esses homens foi ensinar outros a matar dragões para que estes ensinassem a outros e assim por diante. Às vezes ainda me parece esta a função dos estudiosos de literatura, especialmente no Brasil, agora sendo cuspidos, de 20 em 20, todos os anos, pelo novo curso de Estudos Literários oferecido pela UNICAMP.images

            Mas será que não existe mesmo um papel social exercido pela literatura em nossa época? Afinal, são produzidas cada vez mais edições baratas de “clássicos” da literatura universal nunca se vendeu tantos livros, nunca tantas pessoas tiveram acesso à leitura, tanto no que diz respeito à decodificação da escrita, como quanto aos preços aplicados.

            Para tentar responder a essa pergunta, devemos, antes, fazer duas observações. A primeira delas se refere à afirmação mesma de que a literatura deve ter um papel. Alguns estudiosos já defenderam, como Oscar Wilde, que “toda arte é completamente inútil”, logo ocorreria apenas em função da beleza, do prazer. Outros, como Sartre, acreditam na literatura “engajada”, exercendo papel transformador no ser humano e, por conseqüência, na sociedade.

            Apesar de me terem sempre dito, na universidade, para não juntar opiniões opostas, mas sim me alinhar a uma ou outra, continuo sendo teimosa e acreditando na possibilidade de equilíbrio entre os opostos numa proposta intermediária, mais razoável, que considera um e outro aspecto. A literatura ocupa ambos os lugares, o de exercício de beleza e prazer assim como o de transformador do pensamento, influência e acréscimo às idéias circulantes de um período.

            A segunda observação está relacionada a que tipo de coisa estamos nos referindo quando usamos a palavra literatura. Podemos considerar tudo o que é escrito como literatura? Mas e os jornais e revistas, são literatura? Podemos considerar somente os “grandes clássicos”? Mas quem decide quais desses “clássicos” serão lembrados e quais serão esquecidos? E se só “clássicos” são literatura, tudo de contemporâneo não faz parte da lista? Como se pode ver, a questão não é simples.

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EU SOU VIRGEM…

Filed Under (contos) by Tânia on 10-03-2008

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      Estava distraída… lembrando daquele dia. Aquele olhar significava ou não significava alguma coisa? Ficou claro que a conversa do outro dia, de fato, queria dizer alguma coisa, embora ainda não saiba exatamente o que.

      Bem que achei estranho mesmo, apesar de não ter me ocorrido nada naquele momento! Mas agora, depois da conversa, como saber?

      Agora ele olhou de novo pra cá. Não é a primeira vez que olha, então não foi só por acaso. Está olhando repetidamente. Mas o que isso quer dizer? Bem, não importa! Preciso parar com isso.

      im_a_virgin_big Outra vez! Mas que coisa! Quem consegue manter a indiferença assim? E a curiosidade, então! E se ele estiver olhando mesmo? Bom, olhando ele está, mas por que? Meu cabelo está bom? O espelho, preciso de um espelho. Ah, está ótimo! Aliás, meu cabelo está melhor do que nunca hoje, preciso me lembrar de comprar mais daquele shampoo. Ótimo! Nada nos meus dentes. Maquiagem impecável. Só precisava dar um jeito nessas olheiras…

      Mas, enfim, nada que ele reparasse a essa distância. Talvez nada que reparasse a distância nenhuma! Principalmente dependendo do tamanho do decote… Nossa, os botões da minha blusa!

      Não, também não. Ufa!

      Agora ele está olhando fixamente. Que sexy! Será uma repreensão? Minha saia não está muito curta também! Será que ele ficou bravo por causa daquela coisa de “babaca”. Não devia tê-lo chamado assim! Mas estava só brincando!

      Não, não estava. A quem estou querendo enganar? Ele realmente é um puta de um babaca! Mas quem não é hoje em dia, às vezes? E ele até que está acima da média! De não ser tão babaca, eu quero dizer; não que ele esteja acima da média em babaquice… ah, você entendeu! Está vendo! É esse tipo de coisa que faz com que uma pessoa seja mal-compreendida! Com certeza ele não entendeu a coisa do babaca!

      Agora parou de olhar! Está bebendo e rindo com os outros. Já faz um tempo que está assim. Por que será? Fingindo que está tudo ótimo. Está me ignorando, é óbvio! Como é infantil! Uma brincadeira a toa! E fica aí fingindo que não se importa, fica até ridículo! É obvio que está fazendo de propósito! Com isso só o que consegue é se fazer passar por um babaca completo!

      Ficou sozinho. Virou pra cá de novo. Não tem mais com quem fingir, não é? Não resistiu, está vindo pra cá! E agora? Saia, botões, cabelo, maquiagem… malditas olheiras!

    

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REFLEXÕES SOBRE A EDUCAÇÃO BRASILEIRA

Filed Under (opinião) by Tânia on 18-02-2008

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      Estava eu, depois de cansativo dia de trabalho, a divertir-me com minhas leituras noturnas (e soturnas?), quando me deparei com o parágrafo “Nietzsche combateu a metafísica, retirando do mundo supra-sensível todo e qualquer valor eficiente, e entendendo as idéias não mais como “verdades” ou “falsidades”, mas como “sinais”. A única existência, para Nietzsche, é a aparência e seu reverso não é mais o Ser; o homem está destinado à multiplicidade, e a única coisa permitida é sua interpretação”.

      Pensando, especialmente sobre as expressões em destaque, fui caminhando em direção a algumas reflexões sobre a educação brasileira e uma forma de encará-la pragmaticamente. Inicialmente cogitei a respeito do relativismo cultural e em como se dá sua valoração – exemplo: os gostos, costumes, etc. de pessoas de classes baixas são preconceituosamente considerados inferiores aos de classes mais altas; a cultura valorizada é da “elite”, não porque seja melhor (ou pior) que a da “patuléia”, mas sim porque provém da classe que detêm o poder sócio-econômico da sociedade.AQNGFL1CAIMP3CJCAOW32QECAOMJ5YOCAZUREAPCA45ZQJ6CACULCPTCAQ5D35ACALLYL53CAMYHV9DCAWN0MV9CA0T755HCAELNIJPCA0Z1XHMCA70XI8SCAUG6DX5CAR1HL7ACA8YDWTUCAYDVJU6

      Deste ponto, fui levada para o mito da igualdade constituído para validar a democracia – trocando em miúdos: insiste-se em reafirmar a igualdade total entre os homens mesmo que isso signifique contrariar os fatos, como, por exemplo, as diferenças na facilidade e rapidez no aprendizado de uma pessoa para outra mesmo que pertencentes à mesma classe social (isso para me ater a diferenças não polêmicas, afinal não me convém ser obrigada a maiores esclarecimentos!). Tal insistência só me parece necessária tendo em vista uma perspectiva simplista que crê somente ser possível haver democracia se todos forem iguais. Ora, o fato de ser diferente não implica em ser inferior ou superior, logo, não há o menor problema, no que se refere à democracia, que se aceite que a multiplicidade existe, desde que se preste atenção à motivação da valoração feita de determinadas características em detrimento de outras. Explico: imagine que uma criatura tem grande habilidade manual, a pobre coitada é precisa, cuidadosa, faz o diabo com as mãos; agora imagine uma outra criatura com uma facilidade nata para o raciocínio lógico, o infeliz faz o que quer com os números. E, finalmente, imagine uma sociedade configurada de modo que o trabalho “braçal”, por um motivo qualquer, tivesse levado uma determinada parcela da população a ter mais poder a ponto de dominar a outra. Nesse caso, pergunto, qual seria a atividade mais valorizada: a de um pedreiro ou de um engenheiro civil?

       Bem, sabemos que em nossa sociedade, a habilidade culturalmente mais valorizada é o raciocínio lógico, afinal existem muito mais engenheiros bem sucedidos do que pedreiros. As atividades “intelectuais” são consideradas mais difíceis que as “braçais”. Convido você, meu leitor, a despir-se de seus preconceitos: será que é assim tão mais fácil construir um prédio do que projetá-lo, ou será que são apenas dificuldades em diferentes aspectos? Será que essa valoração não ocorre porque os engenheiros são da classe dominante e os pedreiros não? A julgar pelos engenheiros civis e pedreiros que conheço, penso que não, mas isso provêm de meus preconceitos e suas motivações, portanto, deixo a seu critério, crítico leitor, pensar nos seus preconceitos e nas motivações deles…

       

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DESPEJARAM VIRGÍLIO

Filed Under (humor) by Tânia on 20-04-2007

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      Estava eu no meio do caminho numa selva escura quando me disseram que o Papa acordou esta manhã, abriu a janela, deu um suspiro e pensou “ai, acho que o Limbo não existe”! Mas é claro que ele não faria isso assim, do nada, sem motivo, afinal a Igreja sempre se baseia no preceito da Verdade; por isso, justificam-se com argumentos lógicos e racionais "Nossa conclusão é que os vários fatores que analisamos fornecem uma base teológica e litúrgica séria para esperar que os bebês não-batizados que morrerem serão salvos", diz o documento chamado "A esperança de salvação para bebês que morrem sem ser batizados". Ah, agora que os bebês mortos podem ter esperança, vou até me converter ao catolicismo!

      Mesmo assim, só para garantir, é melhor colocar as duas moedas nos olhos dos bebês, porque vai que ficam sem dinheiro chegar ao Hades, não é? Ah, não, isso era antes, o Hades já foi extinto há algum tempo…

      Mas e agora, onde o pobre Virgílio vai morar? Será que agora ele pode morar com a Beatriz no céu? Deus malvadão jamais permitiria tamanha pouca vergonha! Isso sem dizer que suprimir o Limbo do Inferno de Dante vai arruinar o ritmo e a rima do poema, onde vamos achar alguém que faça um trabalho como esse… bem, ainda bem que para fazer a tradução em português sempre podemos chamar o Ivan Junqueira, afinal seu método de tradução aleatória é infalível!

     Queria poder fazer como Dante e mandar todo esse clero para o inferno!images

IMORTAL

Filed Under (Poemas) by Tânia on 05-02-2006

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Como pode alguém ser tão amado
A ponto de levar consigo minha alma?
Não possuo mais nada de meu,
Pois em tudo há uma lembrança sua,
Uma imaginação do possível,
Do desejável ou do perfeito!
Você atormenta meus sonhos,
Protagoniza todos os meus pesadelos
Com sua ausência!images
Possui todos os meus medos,
Pois quando está longe,
Temo que não volte
E quando está perto,
Temo que vá embora!
Os momentos que são só nossos
Se repetem a cada dia.
Eu já não vivo sem lembrar.
Você levou em cada um desses momentos,
Aos poucos, tudo o que era meu,
Tornando seu, embora não mais vivo,
Mas sim, imortal!
Porque está além de mim e além de você.
Está além de nossas vidas.
É maior que nossas lembranças.
É o amor pelo Amor!