“I Can Resist Everything except Temptation”

Oscar Wilde

ACASO

Filed Under (contos) by Tânia on 14-05-2009

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     Quantos passos até o próximo poste? Dez, não, nove. E duas tragadas. Geralmente termino o cigarro na curva do outro quarteirão. Dezesseis postes, provavelmente. Vinte e duas tragadas em cada cigarro. Cento e quarenta e quatro passos até acabar o cigarro. É, posso matar um bom tempo com isso! Depois, a probabilidade de acontecer um imprevisto é maior hoje! Faz quase três meses desde o último numa caminhada como essa e, considerando o tempo entre os últimos imprevistos, é bem provável que ocorra algum nas próximas semanas. Pode ser hoje. Embora, possivelmente não seja hoje, já que todas as ocasiões anteriores em que ocorreram eu não esperava por eles como acontece hoje. Sim, não será hoje. Mas, afirmando incisivamente que não será hoje, faz com que eu deixe de esperar que seja hoje e, portanto, torna mais provável que seja hoje. Não será hoje. Ah, vou enlouquecer comigo mesmo um dia!

     Mas, o que é aquilo? Como está escuro aqui! Será uma pessoa? Provavelmente só um gato ou cachorro remexendo o lixo daquela velha suja da esquina! Odeio gente velha! Amargurados! Fazem parecer que não valeu a pena! Afinal de contas, se tivesse valido não seriam tão rabugentos! Quer dizer, seriam sim – ninguém gostaria de ter uma vida que vale a pena e, de repente, notar que ela passou e vai acabar logo. Maldito pessimismo, é melhor eu me calar! Mas que diabos, eu nem sequer estou falando! São esses pensamentos, como sempre rápidos demais para que eu possa impedi-los de continuar, de existir!

     Oh, é uma pessoa! E está abaixada – o que será que está fazendo? Deve ter derrubado alguma coisa. É, é provável! Será homem ou mulher? A possibilidade de ser uma mulher a essa hora numa rua tão escura é tão pequena que devo assumir que é um homem. A menos que seja uma prostituta, ou uma viciada, ou seja louca! E, nesse caso, a possibilidade de ser o tipo de mulher que eu gosto é de cem por cento. Mas, agachada numa rua, é mais provável que seja uma mendiga, o que torna quase certo que seja feia, ou, pelo menos, que esteja feia. Como eu sou cruel e maldito! Ora, mas é verdade!

     Ah, mas é um homem. Sim, era muito mais provável! Meu deus, mas o que ele está fazendo? Isso foi um peido? Soa como peido, fede como peido – com certeza é um peido. Embora repolhos também sejam fedidos como peidos… Mas o homem está cagando no meio da rua!? Que horror! Qual a probabilidade de uma criatura sair para uma caminhada e encontrar um homem fazendo cocô? É tão mínima! Eu e minha falta de sorte! Ainda mais um homem com diarréia, quer dizer, um homem que caga no meio da rua, certamente está com diarréia e, nesse caso… ah, pelo amor de deus, pare com isso! Como consigo ser tão irritante comigo mesmo?!

     Ora, foi-se o imprevisto! Mas que merda! Deus, como posso ser tão infame?! Trocadilho horroroso! Bom, nada mais de imprevistos por hoje; a menos que haja um imprevisto, o que além de paradoxal, é muito improvável!

     Chega de raciocínios tortuosos! O bar é na próxima esquina. E como não há nenhuma chance de que eu passe por ele e não entre, deixe-me apressar o passo! Bem, e entrando, há uma grande chance de que eu me embriague sozinho numa madrugada de segunda para terça, o que, certamente, me torna um alcoólatra! Mas, para o inferno, as únicas pessoas interessantes que conheço que não o são, são aquelas que um dia vão ser! Para o bar, então.

     - Uma pinga.moeda

     - Aqui.

     Onde pus o dinheiro? Diabos, ficou em cima da mesa! Devo ter alguma coisa nesse bolso… ah, duas moedas de 25!

     - Obrigado.

     Ora, seu verme asqueroso, não me olhe com esse sorriso sarcástico. Ah, e por que, se eu também o faria se visse alguém pagar uma pinga de 50 centavos com duas moedas de 25?! Mas, por que riria? O que há de engraçado nisso? Tolice. E o pobre coitado nem estava sorrindo, tinha a boca torta mesmo. E era vesgo, o miserável! Que criatura feia, tem a cara toda errada! O que importa, o pobre diabo tinha que ser bonito para me vender um pinga? Rabugento, não passo de um rabugento. Por isso não gosto de velhos, eles me lembram a mim mesmo! Oh, pobrezinho de mim, como se eu não tivesse tanta auto-estima a ponto de saber que são os outros o problema, não eu. Digo, achar, não saber. Mas a quem quero impressionar com modéstia, saber, não achar. Ah, adoro minha moral hipócrita!

     Essas divagações outra vez! Isso nunca acaba! Estou começando a ficar enjoado de conviver comigo mesmo. Também, quem não ficaria?! Ela não ficaria. E cá estou eu de novo passando em frente à casa dela. A luz ainda está acesa… e as cortinas abertas… mas não a vejo daqui. Talvez esteja vindo para o jardim! Claro que não, o que ela faria aqui a essa hora, viria só para falar comigo? Ela já deve estar dormindo. E, se demorou dez anos para que nos encontrássemos por acaso aqui nesse mesmo portão, é provável que não nos encontremos dessa forma por mais dez anos e, então, quando isso vier a acontecer, não será mais importante, como seria hoje. É, não será assim que vou encontrá-la. Se a encontrar. Ora, moramos no mesmo bairro, é claro que vamos nos encontrar! Embora, não convenientemente, como seria minha intenção. Como pareço estúpido esperando pelo acaso! Mas é que me parece tão perfeito, dentro de meus planos, encontrá-la aqui, por acaso, convenientemente.

     Mas é claro que as coisas não acontecem da maneira como planejo. O mundo tem sempre planos maiores do que os meus – as coisas vão acontecer e se encaixar perfeitamente, mas de forma completamente diversa de minhas pretensões simplistas. Deixemos que ela durma.

     Isso parece muito conformista. Há situações que dependem da sorte, mas minhas atitudes devem contar alguma coisa, mesmo que não seja tudo! E se eu tocasse a campainha? Num filme pareceria bonito que o rapaz aflito procurasse a mocinha no meio da noite! Mas na vida parece simplesmente ridículo! E mesmo procurá-la me parece muito teatral! E se aquela tia atendesse o telefone, o que pensaria? Ora, quer dizer que não resolvo isso de maneira prática, por me preocupar com o que os outros vão pensar? Exatamente. Posso suportar me sentir triste, mas nunca patético!

     E, além do mais, resolver tudo com uma conversa direta só tornaria o processo menos interessante. O que eu faria a noite em lugar de passar por aqui e me indagar se ela está, se pensa as mesmas tolices que eu, o que aconteceria se nos encontrássemos de novo? Quero dizer, e a poesia? Todos esses pensamentos poderiam se reduzir a um não. Ou eu poderia dizer algo, ela gostar, e a situação ser tão clara e objetiva que me causaria tédio. Sem dramas, sem incertezas, sem frases de efeito? Quem poderia desejar tamanha falta de graça?

     A quem acho que engano com esse discurso ridículo de idiota solitário se justificando por ser solitário? Com certeza a mim mesmo. Não me importaria com a falta de graça, porque tudo o que preciso é a falta de dramas, incertezas e frases de efeito – apenas realidade, apenas aplicabilidade. O fato é que não posso procurá-la nessas circunstâncias, nesse contexto – não faria sentido algum. É só uma divagação incrédula para me fazer pensar que seria simples se o quisesse. Mas não é assim, porque não depende de alguma ação minha. Depende única e exclusivamente do acaso, e um acaso não posso forjar ou forçar. Não há nada que eu possa fazer. Ou eu me contrarie dizendo isso porque tenho medo de fazer o que é preciso. Isso está me enlouquecendo. Tudo em meu poder já foi feito e não me resta nada além de passar por aqui ocasionalmente esperando que algo aconteça. Um imprevisto. Mas como eu espero por esse imprevisto, ele é previsto e programado, portanto, improvável. As coisas acontecem de acordo com um desenrolar que vai além de minhas previsões…

      Só me resta, então, resignar-me e esperar pelo que o acaso me trará, sem pensar ou planejar o que pode ser, a menos que eu pretenda enlouquecer com o irritante convívio comigo mesmo!

      Diante de minha impotência, creio que seja hora de ir dormir!

LANGOR

Filed Under (contos) by Tânia on 13-05-2009

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     O dia era quente e o ar seco, com o sol, parecia abrir fissuras no chão duro; a pele dele estava seca e repuxada, às vezes, parecia flácida como a de um velho, mas era só o calor que distorcia a imagem de seu rosto diante dos meus olhos. Os engulhos e o langor do tédio ainda me vinham à cabeça enquanto ele ainda falava. Como falava! Sua implicância e rabugisse me tinham feito pensar que era um velho – era isso! Quando ele comentava, eu movia levemente a cabeça duas ou três vezes e semi-sorria; minha indiferença aumentava, o monólogo dele se expandia. As paredes esmagavam e as portas e janelas fechadas me sorriam debochadamente. Ele continuava impassível – reclamava e criticava insistentemente, não valia a pena discordar. Deixava-o falar e, calada, olhava seu rosto e seus lábios subindo e descendo, como se visse o nada materializado diante de mim. Mesmo assim, ele argumentava para si mesmo, possivelmente para se convencer de seus próprios absurdos ou para deliciar-se com sua inteligência afetada ou, talvez, para provar que ela existia. Apenas conseguia declarar arrogância, estupidez e preconceito.

     O seu rosto se contorcia de acordo com a movimentação de seus lábios, e sua voz parecia também contorcer-se quando chegava aos meus ouvidos cansados daquele zumbido inconstante e estridente. Para zombar de meu tédio, comecei a observar-lhe os dentes levemente amarelados e desalinhados. Vez ou outra um fio de saliva unia os lábios numa consistência pegajosa, como a dos argumentos de seu discurso. A língua passeava pela boca lembrando-me de um animal ruminante. Uma leve espuma acumulava-se nos cantos da boca e algumas gotas pulavam desesperadas de dentro dele para se depositarem hora em meus braços, hora em meu rosto. Ruminava com palavras. Eu disfarçadamente as limpava com os dedos, mas não sem sentir-me infectado para sempre.

     Obsessivamente concentrado no movimento de seus lábios deslizando sobre os dentes, notei que ficavam vermelhos – suas gengivas sangravam. O sangue escorria por cima dos dentes e, enquanto ele falava, seus lábios espalhavam-no por toda a boca. O asco que a cena me causou não foi suficiente para que desviasse o olhar, que permaneceu fixo nos movimentos daqueles lábios infectos.

     Aos poucos pareceu-me que caiam-lhe os dentes e escorriam-lhe pelo corpo ensangüentado até o chão. Depois eram seus lábios que desgrudavam-se da boca esticando-se como se fossem feitos de goma de mascar. E ele os mascava ainda ruminando mesmo com as gengivas muito vermelhas e molhadas. Sua língua estava mole e desgovernada em meio a cuspidelas de dentes e sangue, quase como os seus pensamentos. Seu maxilar pareceu desprende-se do rosto e balançar pendurado enquanto ele continuava a falar. Lágrimas desceram de seus olhos e, em pouco tempo, tornaram-se os próprios olhos escorrendo pouco a pouco e misturando-se ao que lhe restava da boca. Os cabelos ondulados foram percorrendo-lhe o corpo como vermes desprendendo-se da terra; até que sua cabeça passou a resumir-se a um grosso e ululante punhado de lama. Seu corpo desfez-se em barro e espalhou-se no chão junto com as paredes, janelas, portas e tudo o mais que nos circundava. Tudo aquilo misturou-se tornando-se uma geléia viscosa e catarrenta que se arrastava pelo chão. Em pouco tempo, o próprio chão foi absorvido por aquele nada e tudo aquilo escorreu rumo a um enorme ralo que se formara aos meus pés. Depois que tudo pareceu desmantelar-se ralo a baixo, notei que a sola de meus sapatos estava ensopada porque o ralo entupira deixando toda a sujeira ainda na borda, sem ser escoada.

     Não me lembro ao certo quanto tempo mantive-me naquele estado de semi-consciência gerada por meu profundo desprezo e indiferença por tudo quanto estivesse ali presente, mas quando acreditei voltar a mim, tudo estava imóvel e sólido, de maneira que senti em mim uma dureza dolorosa e esmagadora. Não havia mais ninguém ali e eu continuava sem me mover olhando atabalhoadamente para aquilo que a pouco fora uma massa disforme.melting

IDIOLETO

Filed Under (Poemas) by Tânia on 13-05-2009

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Essas são lembranças que guardo sempre comigo

E, por serem tão minhas, não estou bem certo

de que você as tenha também.

“Olhares se encontram e insistem

e no bobo sorriso correspondido estremeço;

primeiras palavras nervosamente trocadas,

1778389_3Ojt1 encantadamente admiradas,

um beijo desejoso e inquietamente esperado,

o doce das palavras não ser nem sequer

uma sombra perto de suspiros, toques e olhares

que trazem algo de um lugar desconhecido –

o lugar mais puro e mais bonito da alma: a inocência.

Bobagens, frivolidades, sorrisos,

Mãos desajeitadas que se tocam

Sonhos desengonçados que se confundem”

Um mal-entendido tão doce, puro e encantador

Que um dia até tive certeza

De que fosse simples amor.

É meigo e já não importa mais.

E SE…

Filed Under (Poemas) by Tânia on 03-05-2009

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Se eu não odiasse tanto

Se não lamentasse tanto

Se não sentisse muito!

Ah, se o tempo me sorrisse sempre

Se o vento soprasse mais forte

Se eu dissesse “chega” Um outro olhar sobre o mundo - 140x160cm

E fosse verdade…

Se eu não mentisse

Se aceitasse

Se nunca me desiludisse

Se o amor não nos obrigasse

Se todo sofrimento cessasse

Junto com o amor que acabasse

Se eu nunca fosse hipócrita

Se não resmungasse

Se eu não chorasse

Se sempre soubesse o que sinto

Se alguém que me amasse

Fosse por mim amado

Se eu não me contradissesse

Se eu não esperasse que sonhos

Se realizassem…

Quem seria eu?

HISTÓRIA DO AMOR NO OCIDENTE: Uma indicação de leitura para os anti-românticos e desiludidos!

Filed Under (livros) by Tânia on 01-05-2009

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     Aqueles que já se fartaram do Romantismo e suas influências não podem deixar de ler essa obra do filósofo e ensaísta suíço Denis de Rougemont – L’Amour et L’Occident, publicado no Brasil com o título “História do Amor no Ocidente”.

     O livro foi escrito em 1938 e revisto em 1956, período de guerra e grandes mudanças nos valores e instituições sociais. Por este motivo, o autor aborda a questão da construção da idéia atual de amor falando da crise do casamento, tentando mostrar que os motivos para a mesma estão justamente na herança cultural que faz com que pensemos que o amor desejado é o amor de Eros e não o de Ágape, ou seja, o amor erótico e não o cristão.

     Para tanto, Rougemont utiliza-se do mito de Tristão e Isolda para desenvolver sua linha de pensamento, além de uma série de dados literários e religiosos que recuperam o século XII, como por exemplo, a questão do amor cortês lindamente exemplificado nas “Correspondências de Abelardo e Heloísa”. Dessa forma procura tornar o leitor consciente de que seus desejos e sonhos amorosos estão ligados a uma herança cultural e, portanto, não são inerentes ao próprio amor.

     img Além disso, o conceito de amor construído privilegiaria o que o autor chama de “amor recíproco infeliz”. Rougemont afirma que se ama mais ao próprio amor, ao fato de amar, do que propriamente ao ser amado – o que tornaria o amor interessante seria a impossibilidade de sua realização efetiva, a realização do amor deveria ocorrer após a morte, daí a idéia de “morrer de amor” e de uma união que só seria possível e completa com a morte dos amantes. Um exemplo claro de tal predileção seriam os romances que terminam com a morte, como Romeu e Julieta ou o próprio mito de Tristão e Isolda, ou, no caso dos finais felizes, não se ter nada a dizer sobre o “felizes para sempre”, mas sim a história se desenrolar sobre o impedimento da união. Haveria na humanidade um desejo da morte, pois esta seria a única forma de realização do amor. Há, inclusive, um capítulo muito interessante no qual o autor relaciona o amor à guerra, dizendo que esta estaria ligada ao desejo da morte humano que o levaria a preferir o amor-paixão.

     Assim, a idéia central do livro é que nosso conceito de amor foi condicionado culturalmente e daí seria proveniente o insucesso do casamento na sociedade atual. O casamento seria o amor realizável e, conseqüentemente, chato, monótono, tedioso. Haveria, então, uma constante busca pela emoção do enamoramento, pelo amor de Eros, o impossível. A conseqüência dessa busca seria a infidelidade.

     Mas o autor atenta para o fato de que o/a amante só seria mais interessante que a/o esposa/o enquanto fosse amante, ou seja, enquanto houvesse uma impossibilidade de realização efetiva da paixão. A partir do momento em que o/a amante se tornasse esposo/a, o mesmo processo de desinteresse ocorreria intermitentemente.

     Para combater essa insatisfação constante e, conseqüentemente, a infidelidade no casamento, Rougemont propõe que se tome essa angústia do amor-paixão como sintoma e se tenha consciência de que ela é proveniente de toda uma construção cultural e, portanto, externa ao amor. Quanto à manutenção do casamento, propõe que só seria possível se o mesmo fosse colocado como escolha, ou seja, que as pessoas não se casassem esperando viver a excitação do amor-paixão eternamente, mas sim se fizesse a escolha de dividir com alguém a própria vida, compartilhar da maneira cristã, isto é, trocar o amor de Eros pelo de Ágape.

     Essa é sem dúvida uma idéia bastante interessante e consciente de se encarar o amor e o casamento, embora pretender encarar e explicar a infidelidade de maneira tão simplista não seja uma atitude muito realista; há muito mais motivos do que os explicitados que levam à infidelidade e que não se pode combater com uma receita, nem mesmo com um esforço ou uma escolha. Mas deixemos essa questão para uma próxima análise e voltemos ao texto referido.

     O livro discute especialmente as formas de amor, o casamento e a infidelidade muito profundamente, utilizando-se de uma argumentação densa e com grande embasamento cultural e intelectual, o que não só a torna interessante, como também não impede que a leitura flua deliciosamente como em todo bom livro.

     Além disso, o autor coloca grande tendência pessoal no desenrolar do texto, o que torna curioso notar como, muito provavelmente, Rougemont seja um desiludido com a paixão e tenha, possivelmente, tido um cônjuge infiel, já que preocupa-se particularmente em consolar os apaixonados infelizes dizendo estar lhes mostrando a cura para sua doença – a consciência da causa de seu mal. Ou seja, uma cura através do intelecto. E o faz brilhantemente – é um daqueles livros que nos transformam.

SUBDESENVOLVIDO NÃO TEM HÍFEN

Filed Under (humor) by Tânia on 11-03-2009

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    Nossos problemas estão resolvidos, subdesenvolvido não tem hífen (se é que um dia teve!), logo não somos subdesenvolvidos, afinal hífen ainda não vai nos faltar com a nova reforma ortográfica, nem regras malucas para sua utilização. Se já era absurdo antes, agora só vieram piorar –“ estamos aqui para complicar” é sempre o lema quando se trata de língua portuguesa, ou ela não se chamaria “portuguesa”…

    Como somos brasileiros, sempre damos um “jeitinho”. Recebi agora um resumo de uma página extremamente esclarecedor, acredita que cabe numa pagininha só? (Confiram em www.g1.globo.com) Vou ajudá-los escrevendo um poeminha:

 

COM JEITINHO

 

Washigton já pode usar KY

Müller que vai aguentar linguiça com frequência.

Ainda dói, mas a ideia é essa.

Eu não apoio, mas a feiura está nos olhos dos que a veem.

Não precisa pôr pelo em ovo.

Você que averigue se faz diferença para você.lingua-de-camoes

 

Tudo bem, o KY eu já sabia usar,

Mas o tracinho no meio do super-homem sempre foi difícil!

Ou põe tudo ou tira tudo

Mas não venham pensar besteira,

Eu estou cá falando só de língua…

Tira na minissaia, tira no pansexual

E coloca sub-humano, assim não dá!

 

Mas não se preocupem,

As demais regras continuam as mesmas,

Ou seja, continuamos tomando no…

(Lembre-se que esta palavra ainda não tem acento!)

 

 

    Agora vamos ao que interessa: quando a Microsoft vai lançar uma nova versão do Word e cobrar caríssimo por ela? Afinal, a gente merece né?