Queimei meu jardim de belas flores,
deitei sobre as cinzas
inalando o odor de flores mortas,
finalmente me cansei de tantas dores.
Correndo descalça pelo asfalto,
senti na pele o que é queimar;
depois que descobri a dor de sonhar,
nunca mais voarei tão alto.
Sem exalar qualquer odor, o asfalto arde.
E, como as chamas com o vento,
contorce o ar que respiro ofegante.
Cobrindo as cinzas deste triste fim
está a correnteza das lágrimas
de passadas e futuras lástimas…
que regam o que fora um belo jardim.