“I Can Resist Everything except Temptation”

Oscar Wilde

SABOR

Filed Under (Poemas) by Tânia on 14-05-2009

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Sinto um gosto amargo

De repente se espalhar

Em minha boca.

Então volto para os seus braços

E te dou um beijo,

Mas o desejo

Já não é o mesmo;

Percebo tudo tão diferente

Que já não sei onde estou,

Em que vida me meti!

Quando te vejo de novo,

Você parece estranho

E não me conhece mais, images

Me cumprimenta como

O garçom do bar…

Antes fingisse que não viu!

Sinto uma falta enorme

De sentir

E te vejo sem sentir

Nenhuma falta.

Tudo ficou tão diferente!

Tudo que eu achava

Que sentia nesse minuto

Se tornou passado

E lá ficou com seus sabores,

Que só me lembro

Por instantes, e

Vejo de tão longe

Que até parece que os imaginei!

IDIOLETO

Filed Under (Poemas) by Tânia on 13-05-2009

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Essas são lembranças que guardo sempre comigo

E, por serem tão minhas, não estou bem certo

de que você as tenha também.

“Olhares se encontram e insistem

e no bobo sorriso correspondido estremeço;

primeiras palavras nervosamente trocadas,

1778389_3Ojt1 encantadamente admiradas,

um beijo desejoso e inquietamente esperado,

o doce das palavras não ser nem sequer

uma sombra perto de suspiros, toques e olhares

que trazem algo de um lugar desconhecido –

o lugar mais puro e mais bonito da alma: a inocência.

Bobagens, frivolidades, sorrisos,

Mãos desajeitadas que se tocam

Sonhos desengonçados que se confundem”

Um mal-entendido tão doce, puro e encantador

Que um dia até tive certeza

De que fosse simples amor.

É meigo e já não importa mais.

E SE…

Filed Under (Poemas) by Tânia on 03-05-2009

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Se eu não odiasse tanto

Se não lamentasse tanto

Se não sentisse muito!

Ah, se o tempo me sorrisse sempre

Se o vento soprasse mais forte

Se eu dissesse “chega” Um outro olhar sobre o mundo - 140x160cm

E fosse verdade…

Se eu não mentisse

Se aceitasse

Se nunca me desiludisse

Se o amor não nos obrigasse

Se todo sofrimento cessasse

Junto com o amor que acabasse

Se eu nunca fosse hipócrita

Se não resmungasse

Se eu não chorasse

Se sempre soubesse o que sinto

Se alguém que me amasse

Fosse por mim amado

Se eu não me contradissesse

Se eu não esperasse que sonhos

Se realizassem…

Quem seria eu?

IMORTAL

Filed Under (Poemas) by Tânia on 05-02-2006

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Como pode alguém ser tão amado
A ponto de levar consigo minha alma?
Não possuo mais nada de meu,
Pois em tudo há uma lembrança sua,
Uma imaginação do possível,
Do desejável ou do perfeito!
Você atormenta meus sonhos,
Protagoniza todos os meus pesadelos
Com sua ausência!images
Possui todos os meus medos,
Pois quando está longe,
Temo que não volte
E quando está perto,
Temo que vá embora!
Os momentos que são só nossos
Se repetem a cada dia.
Eu já não vivo sem lembrar.
Você levou em cada um desses momentos,
Aos poucos, tudo o que era meu,
Tornando seu, embora não mais vivo,
Mas sim, imortal!
Porque está além de mim e além de você.
Está além de nossas vidas.
É maior que nossas lembranças.
É o amor pelo Amor! 

ESSÊNCIA

Filed Under (Poemas) by Tânia on 20-09-2004

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Cheiro de casa, proteção, conforto.untitled

Um corpo repousa sobre outro,

Braços e pernas languidamente enroscados

Num abraço seguro.

As faces experimentam o aconchegante

Macio da pele e seu aroma suave

Penetra pelas narinas num suspiro

De satisfação e relaxamento.

É um aroma doméstico, familiar.

Tem cheiro de crianças correndo pelo jardim,

Sol leve no final da tarde e

Brisa fresca contra o rosto,

Lençóis macios e sorrisos.

Perfume de felicidade caseira,

Promessa de carinho, de compartilhamento.

Incenso de sonho, toque de nuvem,

Poça d’água no deserto!

Essa embriaguez a que me obriga

Sua essência me leva por caminhos

Muito claros e frescos, mas só enquanto durar

A segurança dos seus abraços

Que logo se despedem num adeus longínquo!

VOZ

Filed Under (Poemas) by Tânia on 15-09-2004

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Há uma voz que me dizThirion_Jeanne_darc

Que a vida não vale num mundo como este.

Ela diz que não há esperança,

Pois não é satisfatório viver de ilusão

Mas, eu já não vivo?

Todos os dias diante dos diferentes meios,

Diferentes pessoas ficam diante

De minhas diferentes personalidades.

E isso é tão natural!

Essa voz que me fala deve calar.

Quero silenciá-la com meu sono,

Mas nos sonhos ela também me ecoa nos ouvidos.

Tento concentrá-la em qualquer coisa produtiva,

Ou numa rotina, ou fixá-la em qualquer enredo

Que me distraia,

Mas ela não me deixa nunca

E faz de meus dias um inferno imutável.

Eu a odeio por privar-me da vida.

Ouço uma gargalhada

E ela me diz que é a vida,

Tentando me enganar

E me fazer matá-la.

E eu sou enganada sempre,

Por sufocá-la com a indiferença –

Exatamente como ela quer.