“I Can Resist Everything except Temptation”

Oscar Wilde

A IMPORTÂNCIA DO PENSAMENTO CRÍTICO PARA A DEMOCRACIA

Filed Under (opinião) by Tânia on 18-12-2009

Tagged Under : , , , , ,

            Quando penso na sociedade atual, quatro palavras-chave me vêm à mente: tecnologia, mídia, comunicação, democracia. Todas essas palavras estão inter-relacionadas de diversas formas – a tecnologia inova a mídia que inova a comunicação que redesenha a democracia. A tecnologia que nos trouxe novas mídias como o rádio, a televisão, os telefones celulares, os computadores, a Internet, e todas estas transformaram a maneira como as pessoas se comunicam e, portanto, têm acesso a informação. Isso tudo parece bastante óbvio, mas o objetivo deste texto refere-se a algo que talvez não seja tão óbvio – como todas essas mudanças afetam a democracia.ray1_2

Primeiramente, consideremos o que existe por trás desta palavra, tantas vezes repetida atualmente. A democracia tem sido vista como a melhor forma de governo, de maneira praticamente unânime, no mundo Ocidental, desde a Revolução Francesa e qualquer coisa que se desvie do pensamento democrático é considerado retrógrado e desumano, talvez por ser associado à insegurança e violência envolvida nos governos não-democráticos, como o da Alemanha Nazista, o governo Soviético e as ditaduras militares na América Latina. Além disso, ideias relacionadas à liberdade, tanto de escolha quanto de expressão, parecem ter definitivamente ocupado um dos lugares de maior relevância, como direito básico, na sociedade ocidental. Apesar de unanimidade e não questionamento de valores arraigados na sociedade sempre me causarem desconfiança, não consigo pensar em forma mais justa, mesmo ainda contendo muitas injustiças, para a organização do poder, do que a democrática. Por outro lado, essa democracia da qual tanto nos orgulhamos ainda é relativamente recente, tanto no Brasil quanto no mundo, se compararmos com o tempo que duraram outras formas de governo; e, talvez por isso, necessite ainda de amadurecimento e aperfeiçoamento.

Dito isso, chegamos ao ponto onde tomam lugar as inovações tecnológicas, da mídia e da comunicação. Através delas, não só a liberdade de pensamento e expressão é exercida como nunca por um número nunca antes visto de pessoas, como também o acesso ao conhecimento, à pesquisa, à ciência está cada vez mais fácil. Esse acesso à informação e a novas ideias integra a sociedade não só de um país, mas do mundo, permitindo que haja exposição a acontecimentos e a diferentes pontos de vista sobre as mais variadas situações, o que enriquece o pensamento e é dessa forma que a democracia pode encontrar maior maturidade e plenitude.

Ora, democracia envolve decisão o que, necessariamente envolve pensamento, logo, para que liberdade de escolha exista de fato, e não seja apenas um conceito ou um ideal a ser atingido, é necessário que se possa saber tomar decisões baseadas, justamente, em informação e sabedoria para que sejamos capazes de fazer o melhor julgamento. Por isso, as novas formas de comunicação e troca de conhecimento a que temos acesso na sociedade atual nos permitem dar um novo passo rumo a uma democracia de fato.

Por outro lado, apenas ter acesso à informação não é suficiente, pelo contrário, podem trazem também um grande perigo – o poder que se é capaz de exercer sobre as pessoas, suas ideias e suas atitudes através daquilo a que são expostas pelas diferentes formas de mídia. Logo, é preciso saber o que fazer com aquilo que chega aos nossos olhos e ouvidos todos os dias; ou seja, é estritamente necessário que se saiba pensar, lidar com os dados aos quais somos expostos, desde pesquisar credibilidade de fontes para verificar a veracidade de determinada informação até questionar ideias tidas como ponto pacífico. Sem senso crítico não há democracia, há jogo de poder e manipulação.

            Por isso, o desenvolvimento de uma cultura de senso crítico é um ponto crucial no caminho para uma democracia mais madura e coerente com seus próprios valores. Precisamos de um sistema educacional (não apenas na educação formal e institucional, mas também naquela educação relacionada aos valores culturais da sociedade, sobre a qual os próprios meios de comunicação são capazes de executar grandes transformações) que incentive o pensamento crítico, já que essa capacidade de discernimento é o que nos permite fazer escolhas de maneira consciente, considerando os diferentes aspectos de uma situação para que a melhor decisão seja tomada. Somente quando isso for possível atingiremos um novo patamar de civilidade democrátic

a.Maberta

GRATIFICAÇÕES E DESAFIOS DE SER PROFESSORA

Filed Under (opinião) by Tânia on 10-11-2009

Tagged Under :

Hoje, mais do que em qualquer outro dia, vivenciei muito explicitamente o que é ser uma professora e, mais especificamente, no Brasil – ao mesmo tempo incrivelmente gratificante e frustrante, num caminho repleto de dúvidas e desafios. Para ilustrar essas observações e torná-las mais claras, narrarei dois acontecimentos deste dia que ainda me faz refletir sobre essa profissão curiosa que escolhi, depois desisti, depois fui escolhida por ela…

    Angeli

Read the rest of this entry »

LITERATURA HOJE

Filed Under (opinião) by Tânia on 01-02-2009

Tagged Under :

          Quando me pergunto o que faz um profissional da área de literatura nos tempos atuais, logo me vem à cabeça a piada sobre matar dragões. Esclareço: havia um tempo em que dragões voavam entre nós e havia homens especializados em matá-los; quando os dragões foram todos mortos, o que restou a esses homens foi ensinar outros a matar dragões para que estes ensinassem a outros e assim por diante. Às vezes ainda me parece esta a função dos estudiosos de literatura, especialmente no Brasil, agora sendo cuspidos, de 20 em 20, todos os anos, pelo novo curso de Estudos Literários oferecido pela UNICAMP.images

            Mas será que não existe mesmo um papel social exercido pela literatura em nossa época? Afinal, são produzidas cada vez mais edições baratas de “clássicos” da literatura universal nunca se vendeu tantos livros, nunca tantas pessoas tiveram acesso à leitura, tanto no que diz respeito à decodificação da escrita, como quanto aos preços aplicados.

            Para tentar responder a essa pergunta, devemos, antes, fazer duas observações. A primeira delas se refere à afirmação mesma de que a literatura deve ter um papel. Alguns estudiosos já defenderam, como Oscar Wilde, que “toda arte é completamente inútil”, logo ocorreria apenas em função da beleza, do prazer. Outros, como Sartre, acreditam na literatura “engajada”, exercendo papel transformador no ser humano e, por conseqüência, na sociedade.

            Apesar de me terem sempre dito, na universidade, para não juntar opiniões opostas, mas sim me alinhar a uma ou outra, continuo sendo teimosa e acreditando na possibilidade de equilíbrio entre os opostos numa proposta intermediária, mais razoável, que considera um e outro aspecto. A literatura ocupa ambos os lugares, o de exercício de beleza e prazer assim como o de transformador do pensamento, influência e acréscimo às idéias circulantes de um período.

            A segunda observação está relacionada a que tipo de coisa estamos nos referindo quando usamos a palavra literatura. Podemos considerar tudo o que é escrito como literatura? Mas e os jornais e revistas, são literatura? Podemos considerar somente os “grandes clássicos”? Mas quem decide quais desses “clássicos” serão lembrados e quais serão esquecidos? E se só “clássicos” são literatura, tudo de contemporâneo não faz parte da lista? Como se pode ver, a questão não é simples.

Read the rest of this entry »

REFLEXÕES SOBRE A EDUCAÇÃO BRASILEIRA

Filed Under (opinião) by Tânia on 18-02-2008

Tagged Under :

      Estava eu, depois de cansativo dia de trabalho, a divertir-me com minhas leituras noturnas (e soturnas?), quando me deparei com o parágrafo “Nietzsche combateu a metafísica, retirando do mundo supra-sensível todo e qualquer valor eficiente, e entendendo as idéias não mais como “verdades” ou “falsidades”, mas como “sinais”. A única existência, para Nietzsche, é a aparência e seu reverso não é mais o Ser; o homem está destinado à multiplicidade, e a única coisa permitida é sua interpretação”.

      Pensando, especialmente sobre as expressões em destaque, fui caminhando em direção a algumas reflexões sobre a educação brasileira e uma forma de encará-la pragmaticamente. Inicialmente cogitei a respeito do relativismo cultural e em como se dá sua valoração – exemplo: os gostos, costumes, etc. de pessoas de classes baixas são preconceituosamente considerados inferiores aos de classes mais altas; a cultura valorizada é da “elite”, não porque seja melhor (ou pior) que a da “patuléia”, mas sim porque provém da classe que detêm o poder sócio-econômico da sociedade.AQNGFL1CAIMP3CJCAOW32QECAOMJ5YOCAZUREAPCA45ZQJ6CACULCPTCAQ5D35ACALLYL53CAMYHV9DCAWN0MV9CA0T755HCAELNIJPCA0Z1XHMCA70XI8SCAUG6DX5CAR1HL7ACA8YDWTUCAYDVJU6

      Deste ponto, fui levada para o mito da igualdade constituído para validar a democracia – trocando em miúdos: insiste-se em reafirmar a igualdade total entre os homens mesmo que isso signifique contrariar os fatos, como, por exemplo, as diferenças na facilidade e rapidez no aprendizado de uma pessoa para outra mesmo que pertencentes à mesma classe social (isso para me ater a diferenças não polêmicas, afinal não me convém ser obrigada a maiores esclarecimentos!). Tal insistência só me parece necessária tendo em vista uma perspectiva simplista que crê somente ser possível haver democracia se todos forem iguais. Ora, o fato de ser diferente não implica em ser inferior ou superior, logo, não há o menor problema, no que se refere à democracia, que se aceite que a multiplicidade existe, desde que se preste atenção à motivação da valoração feita de determinadas características em detrimento de outras. Explico: imagine que uma criatura tem grande habilidade manual, a pobre coitada é precisa, cuidadosa, faz o diabo com as mãos; agora imagine uma outra criatura com uma facilidade nata para o raciocínio lógico, o infeliz faz o que quer com os números. E, finalmente, imagine uma sociedade configurada de modo que o trabalho “braçal”, por um motivo qualquer, tivesse levado uma determinada parcela da população a ter mais poder a ponto de dominar a outra. Nesse caso, pergunto, qual seria a atividade mais valorizada: a de um pedreiro ou de um engenheiro civil?

       Bem, sabemos que em nossa sociedade, a habilidade culturalmente mais valorizada é o raciocínio lógico, afinal existem muito mais engenheiros bem sucedidos do que pedreiros. As atividades “intelectuais” são consideradas mais difíceis que as “braçais”. Convido você, meu leitor, a despir-se de seus preconceitos: será que é assim tão mais fácil construir um prédio do que projetá-lo, ou será que são apenas dificuldades em diferentes aspectos? Será que essa valoração não ocorre porque os engenheiros são da classe dominante e os pedreiros não? A julgar pelos engenheiros civis e pedreiros que conheço, penso que não, mas isso provêm de meus preconceitos e suas motivações, portanto, deixo a seu critério, crítico leitor, pensar nos seus preconceitos e nas motivações deles…

       

Read the rest of this entry »

ESCÁRNIO AO MEU TEMPO

Filed Under (opinião) by Tânia on 22-04-2004

AQKLP5PCAG7O0VTCAQXE2Q3CAFTLKF9CAYS76B2CAXD21P7CAIRJ7R9CAB9G911CAFSV1FFCAGZ6QGWCAXG85NQCAGKGN2DCAWSWGOJCA0ZQ01WCAIDL8OTCAHL17PZCAT3EB9VCAIUYLZ5CAZRPMU9 Vou começar aqui uma série de divagações que merecem um esclarecimento anterior – não é um texto para transmitir uma idéia, não é uma argumentação. É um texto que tenta definir um espírito, num sentido geral, e, por isso, é vago.

Alguns pensamentos me vieram à cabeça e passaram a me incomodar de maneira particular, não como aqueles pensamentos que, apesar de interessantes e de alto teor filosófico, são apenas bobagens de uma mente ociosa que, por pensar demais, pensa apenas no que é estúpido. Não me alongando mais com explicações, o que quero dizer é a respeito de nossa época; essa que me irrita, que me enoja, que me desgasta e da qual jamais poderei me livrar do fardo de fazer parte. Ao falar sobre esses tempos horríveis não esperem de mim coerência – só as pessoas chatas a possuem e conseguem mantê-la por muito tempo. Eu não. Prefiro abrir mão dela em favor da sinceridade. E nenhum ser humano é sinceramente coerente; só pode ser coerente se não for sincero consigo mesmo e vice-versa.

Conversas de bar ou de corredor, tomadas pelo tédio que caracteriza essa geração, são os melhores momentos em que esses pensamentos me surgem, talvez até animando o tédio pelo simples fato de se discorrer sobre ele. Novamente estou fugindo do assunto, mas isso pouco importa, já que é ao espírito dessa época onde quero chegar e essas leves mudanças de assunto ocorrem pelo fato de haver para dizer algo pouco objetivo, que só se vai compreender através da sensação daquilo que se pretende.

Read the rest of this entry »

RAÇA E IDENTIDADE NACIONAL: uma nação mestiça

Filed Under (opinião) by Tânia on 28-12-2002

Tagged Under : , ,

1.     Mestiçagem e identidade nacional

 mediummultiracialbk3

A questão da mestiçagem de raças é considerada um dos principais elementos que compõe a identidade nacional. Mas será essa questão tão simples?

A idéia de raça em si já parece ser bastante controversa. Quais os critérios utilizados para se distinguir as diferentes raças? A cor? O tamanho do crânio? As feições do rosto? Seriam esses critérios científicos ou meramente “achismo”?

Hoje ou há séculos atrás, certamente houve mestiçagem entre povos diferentes, vindos de regiões diferentes; então, como falar em pureza de raça? Não existindo tal pureza, a própria idéia da existência de raças da forma como se pensa é insustentável. Sendo assim, percebe-se que esta, obviamente, não é uma questão biológica.

É uma questão social. Se acreditarmos que existem raças diferentes, torna-se possível distanciar de si qualquer outro grupo diferente em qualquer aspecto que se deseje delinear. Mas deixemos essa questão para ser discutida posteriormente.

As razões que se buscaram para validar a idéia da existência de raças são, em geral, físicas, embora não se estabeleçam critérios muito precisos. A diferença sustentaria os argumentos, mesmo os aparentemente absurdos. É claro que se deve considerar que esses pensamentos foram fruto de uma época específica, quando as idéias e conhecimentos que se tinham eram bastante diversos dos que se tem hoje. Esses pensamentos, como parte do passado, influenciaram o presente e, por isso, nos permitem entender o caminho que se percorreu até que se chegasse aos pensamentos da atualidade; existem também as antigas teorias que persistem até hoje. Algumas dessas teorias e pensamentos serão analisados mais adiante.

Então, se a mestiçagem pode ser considerada um fato, seja no Brasil, seja em qualquer lugar do mundo, por que é tida como um dos traços da identidade nacional brasileira numa busca de unir os brasileiros em algo comum?

Essa não é uma questão fácil de ser respondida e nem se pretende fazê-lo aqui, mas é importante que se reflita sobre o assunto para que não se tenha a idéia de nação mestiça como algo natural, mas sim construída historicamente por um processo bastante contraditório.

Uma dessas contradições toca a questão de, ao mesmo tempo em que se admite os elementos negro e indígena como partes importantes na constituição da nacionalidade através da mestiçagem, se lhes negar igualdade na hierarquia social, seja explicita ou implicitamente. Vejamos de que forma isso aconteceu ao longo da história.

Read the rest of this entry »