“I Can Resist Everything except Temptation”

Oscar Wilde

Crime e castigo: sobre a transgressão

Filed Under (citações) by Tânia on 24-02-2009

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      “Quanto à minha divisão dos seres em ordinários e extraordinários, convenho que é um pouco arbitrária, mas ponho de parte a questão de egoísmo, que não faz nada ao caso. Simplesmente julgo que, no fundo, o meu pensamento é justo. Quero estabelecer o princípio de que a natureza divide os homens em duas classes: uma inferior, a dos ordinários, espécie de matéria, tendo por única missão reproduzir-se; a outra superior, compreendendo os homens que têm o dever de lançar em seu meio uma palavra nova. As subdivisões apresentam traços distintos bem característicos.

      À primeira pertencem, em geral, os conservadores, os homens de ordem, que vivem pela obediência e têm por ela um culto. Na minha opinião, são até obrigados a obedecer, porque é essa a missão que o destino lhes impõe, e isso nada tem de humilhante para eles.

      O segundo grupo compõe-se apenas de homens que trangridem a lei, ou tentam transgredi-la, segundo os casos. Naturalmente os seus crimes são relativos e de uma gravidade variável.

      A maioria deles reclama a destruição do presente por causa do melhor.

      Mas, se em defesa da sua idéia, forem forçados a derramar sangue, a passar sobre cadáveres, eles podem em consciência fazer uma coisa e outra – no interesse dessa idéia, é claro. É neste sentido que o meu artigo lhes admite o direito ao crime. (O senhor lembra-se que o nosso ponto de partida foi uma questão jurídica.) Demais não há motivos para nos inquietarmos a esse respeito: quase sempre as massas não lhes reconhecem esse direito: cortam-lhes a  cabeça ou enforcam-nos (mais ou menos), e desse modo exercem a sua missão conservadora até o dia em que essas mesmas massas erigem estátuas a esses mesmos supliciados e os veneram (mais ou menos). O primeiro grupo é sempre senhor do presente, e o segundo é senhor do futuro. Um conserva o mundo, multiplica-lhe os habitantes; o outro move o mundo e o dirige. Estes e aqueles têm absolutamente o mesmo direito à existência e – viva a guerra eterna – até a Nova Jerusalém, bem entendido.”dost01

NEOLOGISMO PAPAL

Filed Under (humor) by Tânia on 10-02-2009

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       Vossa Santidade, o papa “desexcomungou” (eu desexcomungo, tu desesexcomungas, ele desexcomunga, nós desexcomungamos, vós desexcomungais, eles desexcomungam) aqueles sujeitos que disseram que o holocausto não existiu. Claro, como poderia ele mantê-los excomungados se ele mesmo, o papa, adora dizer que as coisas não existem, como o limbo, por exemplo. Daqui a pouco ele vai dizer que Deus não existe!Ah, não, daí ele seria ateu, não nazista.

    Acho que a reação dos judeus a essa atitude deveria ser enérgica – cobrar royalties da Igreja Católica pelo uso do Velho Testamento! Porque, veja bem, é muito desaforo copiar a religião dos caras e ainda querer persegui-los? Por que? Por acreditarem no mesmo Deus malvadão soltando raios e pragas nas suas próprias criaturas? Ah é, deve ser por isso, Deus criou o homem a sua imagem e semelhança! Eu falo que religião tem lógica, os ateus nunca me acreditam…

     Mas, reparem, “o secretário de Estado cardeal Tarcisio Bertone deu ordens para que o bispo Richard Williamson peça perdão de forma ‘absoluta, inequívoca e pública’ por ter negado o Holocausto e ter elogiado o regime Nazista. Senão, voltará à excomunhão.” (Eu excomungarei, tu excomungarás, ele excomungará, nós excomungaremos, vós excomungareis, eles excomungarão)

LITERATURA HOJE

Filed Under (opinião) by Tânia on 01-02-2009

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          Quando me pergunto o que faz um profissional da área de literatura nos tempos atuais, logo me vem à cabeça a piada sobre matar dragões. Esclareço: havia um tempo em que dragões voavam entre nós e havia homens especializados em matá-los; quando os dragões foram todos mortos, o que restou a esses homens foi ensinar outros a matar dragões para que estes ensinassem a outros e assim por diante. Às vezes ainda me parece esta a função dos estudiosos de literatura, especialmente no Brasil, agora sendo cuspidos, de 20 em 20, todos os anos, pelo novo curso de Estudos Literários oferecido pela UNICAMP.images

            Mas será que não existe mesmo um papel social exercido pela literatura em nossa época? Afinal, são produzidas cada vez mais edições baratas de “clássicos” da literatura universal nunca se vendeu tantos livros, nunca tantas pessoas tiveram acesso à leitura, tanto no que diz respeito à decodificação da escrita, como quanto aos preços aplicados.

            Para tentar responder a essa pergunta, devemos, antes, fazer duas observações. A primeira delas se refere à afirmação mesma de que a literatura deve ter um papel. Alguns estudiosos já defenderam, como Oscar Wilde, que “toda arte é completamente inútil”, logo ocorreria apenas em função da beleza, do prazer. Outros, como Sartre, acreditam na literatura “engajada”, exercendo papel transformador no ser humano e, por conseqüência, na sociedade.

            Apesar de me terem sempre dito, na universidade, para não juntar opiniões opostas, mas sim me alinhar a uma ou outra, continuo sendo teimosa e acreditando na possibilidade de equilíbrio entre os opostos numa proposta intermediária, mais razoável, que considera um e outro aspecto. A literatura ocupa ambos os lugares, o de exercício de beleza e prazer assim como o de transformador do pensamento, influência e acréscimo às idéias circulantes de um período.

            A segunda observação está relacionada a que tipo de coisa estamos nos referindo quando usamos a palavra literatura. Podemos considerar tudo o que é escrito como literatura? Mas e os jornais e revistas, são literatura? Podemos considerar somente os “grandes clássicos”? Mas quem decide quais desses “clássicos” serão lembrados e quais serão esquecidos? E se só “clássicos” são literatura, tudo de contemporâneo não faz parte da lista? Como se pode ver, a questão não é simples.

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