“I Can Resist Everything except Temptation”

Oscar Wilde

REFLEXÕES SOBRE A EDUCAÇÃO BRASILEIRA

Filed Under (opinião) by Tânia on 18-02-2008

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      Estava eu, depois de cansativo dia de trabalho, a divertir-me com minhas leituras noturnas (e soturnas?), quando me deparei com o parágrafo “Nietzsche combateu a metafísica, retirando do mundo supra-sensível todo e qualquer valor eficiente, e entendendo as idéias não mais como “verdades” ou “falsidades”, mas como “sinais”. A única existência, para Nietzsche, é a aparência e seu reverso não é mais o Ser; o homem está destinado à multiplicidade, e a única coisa permitida é sua interpretação”.

      Pensando, especialmente sobre as expressões em destaque, fui caminhando em direção a algumas reflexões sobre a educação brasileira e uma forma de encará-la pragmaticamente. Inicialmente cogitei a respeito do relativismo cultural e em como se dá sua valoração – exemplo: os gostos, costumes, etc. de pessoas de classes baixas são preconceituosamente considerados inferiores aos de classes mais altas; a cultura valorizada é da “elite”, não porque seja melhor (ou pior) que a da “patuléia”, mas sim porque provém da classe que detêm o poder sócio-econômico da sociedade.AQNGFL1CAIMP3CJCAOW32QECAOMJ5YOCAZUREAPCA45ZQJ6CACULCPTCAQ5D35ACALLYL53CAMYHV9DCAWN0MV9CA0T755HCAELNIJPCA0Z1XHMCA70XI8SCAUG6DX5CAR1HL7ACA8YDWTUCAYDVJU6

      Deste ponto, fui levada para o mito da igualdade constituído para validar a democracia – trocando em miúdos: insiste-se em reafirmar a igualdade total entre os homens mesmo que isso signifique contrariar os fatos, como, por exemplo, as diferenças na facilidade e rapidez no aprendizado de uma pessoa para outra mesmo que pertencentes à mesma classe social (isso para me ater a diferenças não polêmicas, afinal não me convém ser obrigada a maiores esclarecimentos!). Tal insistência só me parece necessária tendo em vista uma perspectiva simplista que crê somente ser possível haver democracia se todos forem iguais. Ora, o fato de ser diferente não implica em ser inferior ou superior, logo, não há o menor problema, no que se refere à democracia, que se aceite que a multiplicidade existe, desde que se preste atenção à motivação da valoração feita de determinadas características em detrimento de outras. Explico: imagine que uma criatura tem grande habilidade manual, a pobre coitada é precisa, cuidadosa, faz o diabo com as mãos; agora imagine uma outra criatura com uma facilidade nata para o raciocínio lógico, o infeliz faz o que quer com os números. E, finalmente, imagine uma sociedade configurada de modo que o trabalho “braçal”, por um motivo qualquer, tivesse levado uma determinada parcela da população a ter mais poder a ponto de dominar a outra. Nesse caso, pergunto, qual seria a atividade mais valorizada: a de um pedreiro ou de um engenheiro civil?

       Bem, sabemos que em nossa sociedade, a habilidade culturalmente mais valorizada é o raciocínio lógico, afinal existem muito mais engenheiros bem sucedidos do que pedreiros. As atividades “intelectuais” são consideradas mais difíceis que as “braçais”. Convido você, meu leitor, a despir-se de seus preconceitos: será que é assim tão mais fácil construir um prédio do que projetá-lo, ou será que são apenas dificuldades em diferentes aspectos? Será que essa valoração não ocorre porque os engenheiros são da classe dominante e os pedreiros não? A julgar pelos engenheiros civis e pedreiros que conheço, penso que não, mas isso provêm de meus preconceitos e suas motivações, portanto, deixo a seu critério, crítico leitor, pensar nos seus preconceitos e nas motivações deles…

       

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