“I Can Resist Everything except Temptation”

Oscar Wilde

ESSÊNCIA

Filed Under (Poemas) by Tânia on 20-09-2004

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Cheiro de casa, proteção, conforto.untitled

Um corpo repousa sobre outro,

Braços e pernas languidamente enroscados

Num abraço seguro.

As faces experimentam o aconchegante

Macio da pele e seu aroma suave

Penetra pelas narinas num suspiro

De satisfação e relaxamento.

É um aroma doméstico, familiar.

Tem cheiro de crianças correndo pelo jardim,

Sol leve no final da tarde e

Brisa fresca contra o rosto,

Lençóis macios e sorrisos.

Perfume de felicidade caseira,

Promessa de carinho, de compartilhamento.

Incenso de sonho, toque de nuvem,

Poça d’água no deserto!

Essa embriaguez a que me obriga

Sua essência me leva por caminhos

Muito claros e frescos, mas só enquanto durar

A segurança dos seus abraços

Que logo se despedem num adeus longínquo!

VOZ

Filed Under (Poemas) by Tânia on 15-09-2004

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Há uma voz que me dizThirion_Jeanne_darc

Que a vida não vale num mundo como este.

Ela diz que não há esperança,

Pois não é satisfatório viver de ilusão

Mas, eu já não vivo?

Todos os dias diante dos diferentes meios,

Diferentes pessoas ficam diante

De minhas diferentes personalidades.

E isso é tão natural!

Essa voz que me fala deve calar.

Quero silenciá-la com meu sono,

Mas nos sonhos ela também me ecoa nos ouvidos.

Tento concentrá-la em qualquer coisa produtiva,

Ou numa rotina, ou fixá-la em qualquer enredo

Que me distraia,

Mas ela não me deixa nunca

E faz de meus dias um inferno imutável.

Eu a odeio por privar-me da vida.

Ouço uma gargalhada

E ela me diz que é a vida,

Tentando me enganar

E me fazer matá-la.

E eu sou enganada sempre,

Por sufocá-la com a indiferença –

Exatamente como ela quer.

SHOPPING

Filed Under (contos) by Tânia on 11-09-2004

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    Sento-me num banco com meu cigarro. Um homem de terno preto passa com uma mulher sorridente vestida de vermelho. Ela não devia usar essa cor, realça sua vulgaridade e contrasta com a elegância do homem de terno preto.

     Adolescentes fumam num canto. Uma camisa verde diz: “I have no luck, I admire work, dedication and competence”. Lucky bastard!

     Um grupo discute uma viagem à |Europa, lembrando-se dos vãos  de uma ponte na Dinamarca:

     “Tendo dinheiro se faz tudo em construção civil.”

      “Cada suor do meu rosto será vendido”.

     “Toda pesquisa deve ser vendável”.

      Primores da decadência humana explodem como um vulcão.

     As vitrines brilham, as sacolas balançam, as vozes se confundem! Há aqui apenas pontos coloridos borbulhando como vermes. Pessoas sem rostos, sem vidas! Apenas multidão.multidao