Ficava tarde. Esperavam os ponteiros caminharem para passar um tempo. O tempo chegar. Não queriam pensar, embora houvesse muitos pensamentos. Talvez por isso – era demais. Não queriam falar. Havia muito a ser dito. O tempo passava. Calavam-se.
A areia continuava a escorrer suavemente levando com ela os segundos perdidos que se arrastavam a cada lenta inspiração de um e de outro simultaneamente. Cada uma delas trazia sua respectiva expiração, custosa e pesada. E ambas mantinham dentro deles as palavras – silêncio. Aquele que lhes custava as horas de angústia.
Pelo menos, ela já havia substituído a ansiedade. As mãos não suavam mais. Os pés não se moviam insistentemente. Isso simplesmente porque agora a ausência se fora. Agora, havia apenas os sussurros do silêncio ecoando em seus ouvidos.
Calavam-se. Não se moviam. Mas os ponteiros ainda caminhavam e a areia ainda escorria. O tempo não chegava. Esperavam passar um tempo. Sem pensamentos. Sem palavras. Era tarde.
Despediam-se. O silêncio é interrompido e, com ele, a angústia. A ansiedade retoma seu posto. Eles se lembrariam do não-falar. Havia muito a ser dito. Não queriam pensar. O tempo, mais uma vez, não havia chegado. Era culpa do silêncio. Esperavam passar um tempo.![]()