RESENHA: “Preconceito Lingüístico – o que é e como se faz”
Filed Under (livros) by Tânia on 27-05-2002
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A Mitologia do Preconceito Lingüístico
Atualmente existe uma constante luta contra as mais variadas formas de preconceito, afirmando que ele não tem nenhum fundamento racional ou justificativa. Este é apenas o resultado da ignorância, intolerância ou da manipulação ideológica.
Infelizmente, no que se diz referente à língua, estas lutas não tem sido muito difundidas, pelo contrário, vemos que esse tipo de preconceito tem sido reafirmado principalmente através dos meios de comunicação e instrumentos de ensino.
É apresentado no livro Preconceito Lingüístico – o que é e como se faz, de Marcos Bagno, a mitologia do preconceito lingüístico, examinando os principais mitos e refletindo para encontrar os meios mais adequados de combater esse preconceito no nosso dia-a-dia e no exercício de nossa profissão como professor de língua portuguesa.
Mito n° 1 – “A língua portuguesa falada no Brasil apresenta uma unidade surpreendente.
Acredita-se que, no Brasil, a língua portuguesa não apresenta dialetos, que é mesma em todo território. Esse mito prejudica a educação, já que ao não reconhecer a diversidade lingüística do país, a escola impõe sua norma lingüística.
Os brasileiro tem sua língua variando de acordo com idade,
origem geográfica, situação socioeconômica, grau de escolarização, etc. Isso não só por causa da extensão territorial do país, mas, principalmente, por causa da trágica injustiça social.
A Constituição afirma que todos os indivíduos são iguais perante a lei, mas essa mesma lei é regida numa língua que só uma parcela pequena de brasileiros consegue entender. Todos s brasileiros a que ela se refere deveriam te acesso mais amplo e democrático a essa espécie de língua oficial que, restringindo seu caráter veicular a uma parte da população, exclui necessariamente uma outra, talvez a maior.
Muitas vezes, os falantes das variedades desprestigiadas deixam de usufruir diversos serviços a que têm direito simplesmente por não compreendem a linguagem empregada pelos órgãos públicos.
O reconhecimento da existência de muitas normas lingüísticas diferentes é fundamental para que o ensino em nossas escolas seja conseqüente com o fato comprovado de que a norma lingüística ensinada em sala de aula é, em muitas situações, uma verdadeira “língua estrangeira” para o aluno que chega à escola proveniente de ambientes sociais onde a norma lingüística empregada no quotidiano é uma variedade de português não-padrão.
Não se deve confundir “monolingüismo” com a de “homogeneidade lingüística”.