Agora você lambe a faca ensangüentada
Que torcia em meu peito
E me arrancava gritos
que já não eram de dor.
Agora, com a faca nas mãos,
Você pode ver o sangue escorrer
Do vazio que ela deixou
E com essa hemorragia eterna
Se deliciar…
Enquanto o sangue quente
Simplesmente escorre
Saindo de todos os orifícios
Do corpo, tentando escapar…
Encharca os trapos
Que ainda restam sobre a pele
Seca. Rachada pelas agulhadas
Do vento gélido que sopra
Em tudo a minha volta.
Quando já não puder mais
Olhar e empunhar o machado,
Esmigalhe meu crânio;
Escolha bem as partes que você quer…
Descobrirá que o que tanto
Você tentou encontrar nos meus olhos
e no meu coração,
Mas que só poderia achar em meu cérebro,
São apenas miolos podres.
E agora, o que vai fazer?
Agora, que rastejam vermes
Nos mesmos lábios que você beijou…
E você não suporta mais!
Essa forma decadente
Que era o alvo de todos os seus
Mais profundos desejos!
E não suporta mais!
Saber que mesmo lhe causando
Asco,
Você ainda deseja…
Talvez mais do que nunca.