“I Can Resist Everything except Temptation”

Oscar Wilde

O DILEMA DO OLHO

Filed Under (escritos) by Tânia on 13-09-2010

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                Era um olho, mas não apenas um olho qualquer. Era um olho que piscava, mas era um olho aberto, no meio do nada. Se é que se pode saber que era o nada, pois era apenas um fundo preto. E se era um fundo preto, era alguma coisa e não nada. E se nele havia um olho não se pode dizer que havia o nada. Um olho e mais nada ou não-nada e era só. E o olho olhava sem olhar nenhum olho, pois, sendo apenas um, não olhava para si mesmo, nem para qualquer outra coisa que não fosse o fundo preto que não sabia que não era nada, ou era.olho O olho continuava olhando para os lados sem olhar nada, nem o nada, tanto que nem sequer pode-se dizer que olhava, mesmo sendo um olho. Como mencionado anteriormente, piscava. Mas, ao piscar, também não via nada, assim como o nada enquanto de olhos abertos. Logo, piscaria ele, de fato? Se o olho não olha quando aberto, da mesma forma que quando pisca, estaria ele aberto? Se não está aberto, nem pisca, estaria ele fechado? Não. Mas, mesmo assim, não faz a menor diferença: um olho que não olha, nem é olhado, nem pisca, nem está aberto, nem fechado, no meio do nada que não é nada porque possui um olho, seria mesmo um olho?

                Das duas, uma: ou o nada é nada porque o olho é também nada, ou o olho é alguma coisa porque o nada é alguma coisa, mesmo que somente para o olho. Qual você prefere?

A QUESTÃO NACIONAL EM ULISSES DE JAMES JOYCE

Filed Under (artigo) by Tânia on 23-07-2010

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"They were national first, and it was the intensity of their own nationalism which made them international in the end".

James Joyce

 

james joyce

 

Neste trabalho, discutiremos como de coloca a questão irlandesa em Ulisses, de James Joyce. Para tanto, partiremos, primeiramente, de uma apresentação introdutória, situando historicamente o nacionalismo irlandês e apontando sua relação com a literatura como forma de consolidação de uma identidade nacional. Em seguida, faremos uma breve apresentação da posição de Joyce em face da construção dessa identificação cultural através da literatura na Irlanda. E, a partir disso, faremos uma breve apresentação e comentário dos aspectos nacionais contidos em Ulisses, apontados por Tymoczko em “The Irish Ulysses”, para mostrar como Joyce lida com a questão de maneira particular e sob a luz desta peculiaridade utilizar as possibilidades interpretativas colocadas no estudo de Tymoczko para interpretar o episódio “Penélope”.

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Tradução: Conselhos de Polonius

Filed Under (tradução) by Tânia on 19-12-2009

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These few precepts unthy memory look thou character.

Estes poucos preceitos em tua memória observam teu caráter.

 

Give thy thoughts no tongue, nor any improportioned thought his act.

Não dê aos teus pensamentos língua alguma, nem a nenhum desproporcional pensamento seu ato.

 

Be thou familiar, but by no means vulgar.

Sejas familiar, mas de modo algum vulgar.

 

Those friends thou hast, and their adoption tried grapple them unto thy soul with hoops of steel.

Aqueles amigos que tiveres, e sua adoção provada prenda-os em tua alma com argolas de aço.

 

Beware of entrance to a quarrel but, being in, bear it that the opposed may beware of thee.

Evite entrada em querela mas, estando numa, suporte-a para que o oponente deva evitar a ti.

 

Give every man thine ear, but few thy voice.

Dê a todo homem teu ouvido, mas a poucos tua voz.

 

Costly thy habit as they purse can buy but not expressed in fancy. Rich, not gaudy.

Encareça teu hábito como tua bolsa puder comprar mas não expresso em pomposidade. Rico, não chamativo.

 

For the apparel oft proclaims the man.

Pelo traje frequentemente declara-se o homem.

 

Neither a borrower, nor a lender be. For loan oft loses both itself and friend and borrowing dulls the edge of husbandry.

Nem tome emprestado, nem empreste. Por empréstimos freqüentemente se perde ambos a si meso e ao amigo e tomar emprestado embota a margem de poupança.

 

This above all: to thine own self be true ant it must follow, as the night the day thou canst not then be false to any man.

Isto acima de tudo: a ti mesmo seja verdadeiro e isso deve seguir, como a noite o dia tu não podes então ser falso a homem algum.polonius

A IMPORTÂNCIA DO PENSAMENTO CRÍTICO PARA A DEMOCRACIA

Filed Under (opinião) by Tânia on 18-12-2009

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            Quando penso na sociedade atual, quatro palavras-chave me vêm à mente: tecnologia, mídia, comunicação, democracia. Todas essas palavras estão inter-relacionadas de diversas formas – a tecnologia inova a mídia que inova a comunicação que redesenha a democracia. A tecnologia que nos trouxe novas mídias como o rádio, a televisão, os telefones celulares, os computadores, a Internet, e todas estas transformaram a maneira como as pessoas se comunicam e, portanto, têm acesso a informação. Isso tudo parece bastante óbvio, mas o objetivo deste texto refere-se a algo que talvez não seja tão óbvio – como todas essas mudanças afetam a democracia.ray1_2

Primeiramente, consideremos o que existe por trás desta palavra, tantas vezes repetida atualmente. A democracia tem sido vista como a melhor forma de governo, de maneira praticamente unânime, no mundo Ocidental, desde a Revolução Francesa e qualquer coisa que se desvie do pensamento democrático é considerado retrógrado e desumano, talvez por ser associado à insegurança e violência envolvida nos governos não-democráticos, como o da Alemanha Nazista, o governo Soviético e as ditaduras militares na América Latina. Além disso, ideias relacionadas à liberdade, tanto de escolha quanto de expressão, parecem ter definitivamente ocupado um dos lugares de maior relevância, como direito básico, na sociedade ocidental. Apesar de unanimidade e não questionamento de valores arraigados na sociedade sempre me causarem desconfiança, não consigo pensar em forma mais justa, mesmo ainda contendo muitas injustiças, para a organização do poder, do que a democrática. Por outro lado, essa democracia da qual tanto nos orgulhamos ainda é relativamente recente, tanto no Brasil quanto no mundo, se compararmos com o tempo que duraram outras formas de governo; e, talvez por isso, necessite ainda de amadurecimento e aperfeiçoamento.

Dito isso, chegamos ao ponto onde tomam lugar as inovações tecnológicas, da mídia e da comunicação. Através delas, não só a liberdade de pensamento e expressão é exercida como nunca por um número nunca antes visto de pessoas, como também o acesso ao conhecimento, à pesquisa, à ciência está cada vez mais fácil. Esse acesso à informação e a novas ideias integra a sociedade não só de um país, mas do mundo, permitindo que haja exposição a acontecimentos e a diferentes pontos de vista sobre as mais variadas situações, o que enriquece o pensamento e é dessa forma que a democracia pode encontrar maior maturidade e plenitude.

Ora, democracia envolve decisão o que, necessariamente envolve pensamento, logo, para que liberdade de escolha exista de fato, e não seja apenas um conceito ou um ideal a ser atingido, é necessário que se possa saber tomar decisões baseadas, justamente, em informação e sabedoria para que sejamos capazes de fazer o melhor julgamento. Por isso, as novas formas de comunicação e troca de conhecimento a que temos acesso na sociedade atual nos permitem dar um novo passo rumo a uma democracia de fato.

Por outro lado, apenas ter acesso à informação não é suficiente, pelo contrário, podem trazem também um grande perigo – o poder que se é capaz de exercer sobre as pessoas, suas ideias e suas atitudes através daquilo a que são expostas pelas diferentes formas de mídia. Logo, é preciso saber o que fazer com aquilo que chega aos nossos olhos e ouvidos todos os dias; ou seja, é estritamente necessário que se saiba pensar, lidar com os dados aos quais somos expostos, desde pesquisar credibilidade de fontes para verificar a veracidade de determinada informação até questionar ideias tidas como ponto pacífico. Sem senso crítico não há democracia, há jogo de poder e manipulação.

            Por isso, o desenvolvimento de uma cultura de senso crítico é um ponto crucial no caminho para uma democracia mais madura e coerente com seus próprios valores. Precisamos de um sistema educacional (não apenas na educação formal e institucional, mas também naquela educação relacionada aos valores culturais da sociedade, sobre a qual os próprios meios de comunicação são capazes de executar grandes transformações) que incentive o pensamento crítico, já que essa capacidade de discernimento é o que nos permite fazer escolhas de maneira consciente, considerando os diferentes aspectos de uma situação para que a melhor decisão seja tomada. Somente quando isso for possível atingiremos um novo patamar de civilidade democrátic

a.Maberta

DO SCHOOLS KILL CREATIVITY?

Filed Under (videos) by Tânia on 10-11-2009

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Vídeo interessante e bem humorado, discute questões importantes sobre educação e as diferentes formas como as pessoas aprendem. Mais um relato de como as diferenças devem ser aceitas e não condenadas. Gostaria de saber quando as pessoas vão perceber que para termos todos DIREITOS iguais não precisamos SER todos iguais… para variar, os franceses estavam errados!

GRATIFICAÇÕES E DESAFIOS DE SER PROFESSORA

Filed Under (opinião) by Tânia on 10-11-2009

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Hoje, mais do que em qualquer outro dia, vivenciei muito explicitamente o que é ser uma professora e, mais especificamente, no Brasil – ao mesmo tempo incrivelmente gratificante e frustrante, num caminho repleto de dúvidas e desafios. Para ilustrar essas observações e torná-las mais claras, narrarei dois acontecimentos deste dia que ainda me faz refletir sobre essa profissão curiosa que escolhi, depois desisti, depois fui escolhida por ela…

    Angeli

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